Transtorno de Ansiedade Induzido por Substância ou Condição Médica


Transtorno de Ansiedade Induzido por Substância ou Condição Médica


Introdução:

A identificação etiológica precisa é fundamental em casos onde fatores externos ou fisiológicos precedem e desencadeiam o quadro ansioso. Embora as manifestações clínicas possam ser análogas aos transtornos de ansiedade primários, o manejo clínico desses casos exige a consideração direta do fator causal para a remissão dos sintomas. No diagnóstico diferencial, é imperativa a contraposição entre um transtorno de ansiedade idiopático e aquele secundário a uma intervenção externa ou patologia subjacente.

Existem duas categorias principais para essa condição:

  1. Transtorno de ansiedade induzido por substância e/ou medicamento.
  2. Transtorno de ansiedade devido a condição médica.

Transtorno de Ansiedade Induzido por Substância ou Medicamento

Nesta categoria, o quadro de ansiedade ou de pânico decorre diretamente dos efeitos fisiológicos de uma substância. O diagnóstico exige que os sintomas se manifestem durante ou logo após a intoxicação ou no período de abstinência.

Agentes Desencadeadores

  • Intoxicação: Álcool, cafeína, cannabis, fenciclidina, outros alucinógenos, inalantes e estimulantes (incluindo cocaína).
  • Abstinência: Álcool, opioides, sedativos, hipnóticos, ansiolíticos e estimulantes.
  • Medicamentos: Anestésicos, analgésicos, simpatomiméticos, broncodilatadores, insulina, hormônios tireoidianos, contraceptivos orais, anti-histamínicos, antiparkinsonianos, corticosteroides, anti-hipertensivos, anticonvulsivantes, lítio, antipsicóticos e antidepressivos.
  • Toxinas e Metais Pesados: Inseticidas organofosforados, gases asfixiantes, monóxido de carbono e substâncias voláteis (gasolina e tintas).

Nota Clínica: Se os sintomas precedem o uso da substância ou persistem por período superior a um mês após a abstinência aguda, o diagnóstico de transtorno induzido deve ser descartado em favor de um transtorno de ansiedade primário.

Critérios Diagnósticos

  • A: Ataques de pânico ou ansiedade proeminente que predominam no quadro clínico.
  • B: Evidências, a partir da história, do exame físico ou de achados laboratoriais (como exames toxicológicos), de que:
    1. Os sintomas se desenvolveram durante ou logo após a intoxicação ou abstinência, ou após exposição a um medicamento.
    2. A substância ou medicamento envolvido é capaz de produzir os sintomas descritos no critério A.

Transtorno de Ansiedade Devido a Condição Médica

Este diagnóstico é aplicado quando os sintomas de ansiedade são uma consequência fisiopatológica direta de uma patologia orgânica. A cronicidade e a evolução da ansiedade estão, nestes casos, condicionadas ao curso da doença primária subjacente.

Investigação e Diagnóstico Diferencial

A investigação criteriosa deve estabelecer a associação temporal entre o início da patologia e a emergência da ansiedade. Devem-se observar aspectos atípicos para transtornos primários, como idade de início tardia ou curso clínico incomum.

Condições Médicas Associadas

  • Endócrinas: Hipertireoidismo, hipoglicemia e hipercortisolismo (Síndrome de Cushing).
  • Cardiovasculares: Insuficiência cardíaca congestiva, embolia pulmonar e arritmias.
  • Respiratórias: Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma e pneumonia.
  • Neurológicas: Neoplasias, disfunção vestibular, encefalite e transtornos convulsivos.

Critérios Diagnósticos

  • A: Ataques de pânico ou ansiedade proeminentes.
  • B: Evidência clínica ou laboratorial de que a perturbação é o resultado fisiopatológico direto de outra condição médica, não sendo melhor explicada por fatores ambientais ou psicológicos isolados.

Referências Bibliográficas:


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