Transtorno Factício


Transtorno Factício


Introdução:

O transtorno factício caracteriza-se primordialmente pela falsificação intencional de sinais ou sintomas físicos, psicológicos ou indução de lesões em si próprio ou em terceiros. Esta psicopatologia distingue-se pela motivação intrínseca do agente em assumir o papel de doente, ocorrendo mesmo na ausência de recompensas externas óbvias, como ganhos financeiros, esquiva de responsabilidades legais ou obtenção de benefícios materiais.


Classificação e Etiologia

A nosologia diagnóstica subdivide o transtorno em duas apresentações principais, conforme o alvo da falsificação:

  • Transtorno Factício Imposto a Si Mesmo: O indivíduo apresenta-se a terceiros como doente, incapacitado ou lesionado, recorrendo a meios fraudulentos para sustentar a condição.
  • Transtorno Factício Imposto a Outro: Ocorre quando o agente falsifica sinais ou sintomas em outra pessoa (frequentemente crianças ou indivíduos sob seus cuidados). Nestes casos, o diagnóstico é atribuído ao perpetrador da fraude e não à vítima.

O processo diagnóstico demanda uma avaliação clínica rigorosa que comprove a natureza intencional da simulação ou indução da patologia. Observa-se que o comportamento é persistente e marcado por esforços deliberados para ocultar a fraude, assemelhando-se, em termos de padrão comportamental e compulsividade, a quadros como transtornos por uso de substâncias e transtornos pedofílicos.


Características Clínicas e Diagnósticas

A identificação do transtorno fundamenta-se na evidência de que o indivíduo está agindo de forma a enganar profissionais de saúde e familiares. Os critérios estabelecidos para a caracterização do quadro incluem:

  1. Falsificação de Sinais: Indução deliberada de sintomas, lesões ou doenças, associada a uma fraude identificada.
  2. Apresentação como Enfermo: O indivíduo apresenta-se de forma persistente como doente, com prejuízo funcional ou ferido.
  3. Ausência de Incentivos Externos: O comportamento de falsificação persiste mesmo sem a identificação de benefícios secundários tangíveis ou recompensas externas imediatas.
  4. Exclusão de Outras Patologias: O comportamento não é melhor explicado por outros transtornos mentais, como o transtorno delirante ou outro transtorno psicótico.

Diferente da simulação — que visa um benefício prático e externo — o transtorno factício reflete uma psicopatologia profunda onde o engajamento com o sistema de saúde e a manutenção do papel de enfermo são os objetivos centrais).


Referências Bibliográficas:


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