Transtorno Conversivo
Introdução:
O transtorno conversivo, também denominado transtorno de sintomas neurológicos funcionais, caracteriza-se fundamentalmente pela presença de sintomas que afetam as funções motoras ou sensoriais voluntárias, sem que estes possuam uma correspondência com patologias neurológicas ou condições médicas reconhecidas. A determinação diagnóstica requer uma investigação clínica minuciosa, capaz de demonstrar objetivamente que a apresentação sintomatológica é incompatível com os padrões fisiopatológicos ou neuroanatômicos esperados.
Manifestações Clínicas e Sintomatologia
Os sintomas associados a este transtorno podem ser classificados em dois grandes grupos principais, apresentando variabilidade conforme o sistema afetado:
- Sintomas Motores: Incluem quadros de fraqueza muscular generalizada ou paralisia localizada, tremores anormais, distonias e alterações na marcha.
- Sintomas Sensoriais: Manifestam-se por meio de alterações na percepção tátil (como anestesia ou parestesia), além de perturbações na acuidade visual ou auditiva.
Adicionalmente, o transtorno pode cursar com episódios de crises epilépticas não epilépticas (convulsões psicogênicas), caracterizadas por tremores generalizados e períodos de ausência de resposta que mimetizam eventos neurológicos agudos, porém sem a presença de descargas elétricas cerebrais anômalas correlatas.
Impacto Funcional e Epidemiologia
O surgimento do transtorno conversivo pode ocorrer em qualquer estágio do ciclo vital (1). Apesar da ausência de uma lesão estrutural orgânica subjacente, o grau de incapacidade funcional vivenciado pelo paciente é severo. A magnitude do prejuízo nas atividades de vida diária é frequentemente comparável àquela observada em indivíduos com doenças neurológicas degenerativas ou traumáticas, resultando em perdas significativas na autonomia e na qualidade de vida.
Critérios Diagnósticos
A validação do diagnóstico clínico de transtorno conversivo fundamenta-se nos seguintes critérios técnicos:
- Alteração Funcional: Presença de um ou mais sintomas de alteração na função motora ou sensorial voluntária.
- Incompatibilidade Clínica: Existência de evidências clínicas, obtidas por meio do exame físico ou exames complementares, que demonstram a incompatibilidade entre o sintoma relatado e as condições neurológicas ou médicas conhecidas.
- Exclusão de Outras Causas: O sintoma não é melhor explicado por outro transtorno mental ou condição médica geral.
- Sofrimento ou Prejuízo: O sintoma causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
Referências Bibliográficas:
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