Transtorno de Ansiedade de Separação
Introdução:
A característica central do transtorno de ansiedade de separação consiste no medo ou ansiedade atípicos e excessivos relativos ao afastamento do ambiente doméstico ou de figuras de apego. Tal manifestação clínica ultrapassa a reatividade esperada para o estágio de desenvolvimento ontogenético do indivíduo.
Manifestações Clínicas e Epidemiologia
Observa-se que episódios de maior intensidade de ansiedade de separação são fenômenos normativos e esperados em lactentes, particularmente por volta de 1 ano de idade. No entanto, a persistência dessa sintomatologia para além da adolescência e o ingresso na vida adulta são considerados eventos raros. Em populações pediátricas, nota-se uma elevada prevalência de comorbidades, destacando-se a associação frequente com o transtorno de ansiedade generalizada e a fobia específica.
Critérios Diagnósticos:
Para o estabelecimento do diagnóstico, é necessária a evidência de sofrimento clinicamente significativo em, pelo menos, um dos domínios comportamentais ou somáticos descritos a seguir:
- Sofrimento Antecipatório e Reativo: Ocorrência de angústia excessiva e recorrente quando há o distanciamento real ou a antecipação da separação das figuras de apego ou do lar.
- Preocupação com Eventos Adversos: Ideação persistente e exacerbada acerca da perda ou da ocorrência de danos (doenças, catástrofes ou óbito) às figuras de referência.
- Relutância ou Recusa de Afastamento: Resistência em frequentar a escola, o trabalho ou outros locais devido ao temor da separação.
- Temor de Isolamento: Medo excessivo ou resistência em permanecer sozinho em ambientes domésticos ou sem a proximidade das figuras de apego.
- Pernoite e Pesadelos: Relutância persistente em dormir fora de casa ou sem a proximidade física de figuras importantes, acompanhada por pesadelos recorrentes cujo conteúdo versa sobre a temática da separação.
- Sintomatologia Somática: Queixas frequentes de cefaleia, dores abdominais ou episódios de vômitos diante da separação real ou antecipada.
Ressalta-se que o medo, a ansiedade ou a esquiva devem apresentar uma cronicidade mínima de quatro semanas em crianças e adolescentes, e geralmente seis meses ou mais em adultos. Adicionalmente, o quadro não deve ser melhor explicado por outra condição clínica.
Diagnóstico Diferencial
A diferenciação diagnóstica é imperativa para a precisão terapêutica. A recusa em sair de casa no transtorno de ansiedade de separação deve ser distinguida da resistência à mudança ou rigidez comportamental observada no transtorno do espectro autista. Da mesma forma, deve-se excluir a presença de delírios ou alucinações característicos de quadros psicóticos. Outras distinções fundamentais incluem a agorafobia e o transtorno de ansiedade generalizada, no qual as preocupações não se restringem especificamente às figuras de apego.
Referências Bibliográficas:
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